sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Madame Delphine LaLaurie - O Monstro Cruel da Louisiana



Muitas estórias cercam a notória Madame Delphine LaLaurie, uma rica matrona e dama da sociedade, que tem assombrado a cidade de Nova Orleans por mais de duzentos anos. Quando um incêndio destruiu parte de sua casa em 1834, a população ficou ultrajada ao descobrir que na sua fazenda Lalaurie rotineiramente torturava seus escravos.

Forçada a fugir da cidade, sua culpa era inquestionável, e relatos de suas ações foram aos poucos se tornando acada vez mais bizarros e grotescos com a passagem das décadas. Mesmo hoje, a mansão LaLaurie é considerada a casa mais assombrada da cidade.
Marie Delphine LaLaurie, ficou conhecida pelo nome de Madame LaLaurie, ela foi uma socialite influente e poderosa que residiu sua vida inteira no estado de Louisiana. Ela ficou famosa como uma cruel assassina em série, envolvida na tortura e assassinato de escravos.

Nascida em Nova Orleans, LaLaurie casou-se três vezes ao longo de sua vida. Ela manteve uma posição proeminente nos círculos sociais da cidade até abril de 1834, quando populares ajudando no resgate de feridos após um incêndio na sua mansão em Royal Street, descobriram escravos amarrados que mostravam sinais claros de tortura. Furiosos com o que encontraram, populares invadiram a propriedade que pertencia a ela, saqueando e destruindo tudo em seu caminho. Avisada do que estava acontecendo, ela teria se refugiado na casa de parentes e posteriormente mudou de nome para não ser reconhecida devido a reprovação social desencadeada. Temendo que a repercussão a colocaria em perigo, ela fugiu para Paris, onde teria morrido num acidente de caça.

A luxuosa mansão na Royal Street, um dos endereços históricos mais importantes de Nova Orleans foi reformada e vendida após a sua morte. Ela ainda existe e é considerada como um dos locais mais famosos da cidade.       

Mas quem foi a mulher que receberia a alcunha de "a cidadã mais odiada de Nova Orleans" e que também entraria para a história como "A Megera de Royal Street"?
Delphine Macarty nasceu por volta de 1775, uma das cinco filhas de Barthelmy Louis Macarty, um imigrante irlandês que se estabeleceu na América em 1740. Sua mãe foi Marie Jeanne Lovable, também chamada de "viúva Lecomte", pois havia desposado um importante comerciante falecido em um acidente de carruagem. Ambos eram membros proeminentes da alta sociedade de brancos Créole - descendentes de imigrantes europeus. O primo de Delphine, Augustin de Macarty, foi prefeito de Nova Orleans de 1815 a 1820.
Em meados de 1800, Delphine Macarty casou com Don Ramon de Lopez y Angullo, um Caballero de la Ordem Royal de Carlos (um oficial de alta graduação na Corte espanhola). A cerimônia aconteceu na Catedral de Saint Louis em Nova Orleans. Em 1804, Don Ramon ascendeu a uma posição de destaque, tornando-se cônsul geral da Espanha na Louisiana. No mesmo ano, Delphine e Don Ramon viajaram para a Espanha. Informações sobre a viagem são conflitantes. Segundo alguns historiadores a viagem foi uma punição ao cônsul por falhas na maneira como ele havia tratado de assuntos diplomáticos. Na ocasião, Delphine conseguiu justificar as ações do marido e impressionou a Rainha com a sua beleza e inteligência. O casal recebeu permissão para retornar a América, mas durante o trajeto Don Ramon contraiu uma doença e acabou falecendo em Havana.
Delphine que já estava grávida, decidiu ficar em Cuba onde deu a luz a sua primeira filha Marie Borgia Delphine Lopez y Angulla de la Candelaria, apelidada de "Borquita". Ela decidiu retornar a Nova Orleans logo após o nascimento da menina e se estabelecer na propriedade herdada de seu marido. Ela própria se tornou a gerente da fazenda que plantava cana de açúcar e teve sucesso nas suas negociações.
A Mansão em Royal Street
Em Junho de 1808, Delphine casou com Jean Blanque, um proeminente banqueiro, mercador, advogado e legislador de descendência francesa. Ela se mudou para a suntuosa Villa Blanque e lá teve mais quatro crianças, todas meninas. 

Blanque morreu em 1816 em circunstâncias curiosas que alguns atribuem a envenenamento. Delphine casou com seu terceiro marido, o médico Leonard Louis Nicolas LaLaurie, que era bem mais jovem que ela em 1825. Em 1831, a família adquiriu a famosa propriedade no número 1140 da Royal Street, que ela manteve em seu próprio nome com pouco envolvimento de seu esposo. Há rumores que o dono original da mansão, um médico chamado Nicholas Geny, não pretendia se desfazer da propriedade, mas Delphine estava irredutível, ela habilidosamente negociou com credores e se tornou titular dos direitos sobre dívidas que Geny havia contraído. Valendo-se de seu traquejo financeiro, ela acabou tomando a casa e várias posses do médico que arruinado, se suicidou.

A mansão foi totalmente reformada e nenhum luxo foi poupado para transformar a propriedade em um verdadeiro palácio. Madeira machetada e portões de ferro batido foram trazidos da França, cortinas de tecido inglês nas janelas, móveis e mobília italiana adornava os aposentos finamente decorados com tapetes persas e antiguidades. Em 1832 um terceiro andar foi acrescido a mansão e um alojamento para escravos incluído no topo.

As festas de Madame LaLaurie eram verdadeiros eventos no calendário social de Nova Orleans. Jantares e recitais aconteciam nos salões e jardins da opulenta mansão, onde a nata da sociedade se reunia. A festa de noivado de uma de suas filhas foi um dos eventos sociais mais comentados da primavera de 1832 e contou com a presença de políticos, artistas e pessoas muito influentes.    

Na época, era muito comum que as famílias mais abastadas do sul dos Estados Unidos mantivessem escravos negros como mão de obra em suas propriedades. Os LaLaurie possuíam vários escravos que serviam a família e de fato, supõe-se que eles negociavam diretamente com mercadores de escravos ou que tivessem envolvimento com o rentável tráfico negreiro. Relatos a respeito da maneira como Delphine LaLaurie tratava seus escravos entre 1831 e 1834 variam.

A historiadora Harriet Martineau, reuniu a partir de 1838 testemunhos de habitantes de Nova Orleans a respeito dos escravos pertencentes aos LaLaurie. Muitas pessoas observavam que esses escravos eram "singularmente fatigados e magros"; entretanto, em suas aparições públicas Delphine sempre era delicada com os negros e solícita com a saúde de seus escravos. O Tribunal de Registros na época continha notas de que os LaLaurie haviam emancipado dois de seus escravos (chamados Jean Louis em 1819 e Devince em 1832).

Uma imagem do incêndio publicada nos jornais de época
Por outro lado, corriam boatos de que Delphine na esfera privada tratava seus escravos de uma forma muito diferente. Autoridades policiais visitaram a Mansão em Royal Street em mais de uma ocasião para devolver algum escravo que havia desmaiado extenuado enquanto tentava cumprir alguma tarefa. Um número considerável havia tentado fugir e na maioria das vezes, quando estes eram trazidos de volta, não eram mais vistos. Algumas leis em vigor em Nova Orleans arbitravam a relação entre escravos e senhores, proibindo que "escravos de casa" recebessem punições consideradas cruéis. Uma amiga de Delphine, no entanto, recordou que uma das criadas da casa, uma jovem escrava, implorou que ela a ajudasse, pois temia que a patroa LaLaurie a matasse.

Várias outras pessoas lembraram estórias envolvendo a crueldade da Madame LaLaurie. Um advogado amigo da família contou ter visto certa vez uma menina chamada Lia, de apenas 12 anos, fugir para o telhado da casa apavorada dizendo que sua senhora queria arrancar sua pele. Enquanto ela chorava desesperada, Delphine aguardava com um chicote prometendo que a punição seria muito pior se ela não descesse imediatamente. Quando ela se negou, a patroa mandou que atirassem pedras para força-la a obedecer. A menina se desequilibrou e caiu quebrando o pescoço. Furiosa, Delphine teria mandado prender o cadáver da menina no poste e ela própria a açoitou inúmeras vezes. O pecado de Lia foi puxar o cabelo da patroa enquanto lhe passava a escova.

Em outra ocasião, Delphine teria ficado descontente com a refeição servida a convidados ilustres na mansão. Para punir os escravos ela teria mandado que eles não recebessem comida por dias, mas eram obrigados a assistir que ela e a família fizessem suas refeições diariamente. Quando um deles desmaiou, Delphine teria mandado que a pobre coitada fosse levada para os fundos, colocada em um caixão e enterrada no jardim. A preocupação da Madame com supostos escravos roubando comida beirava a paranoia. Nenhum deles podia comer nada sem que ela pessoalmente permitisse, como resultado muitos sofriam horrivelmente e definhavam a olhos vistos.        

Boatos também diziam que Delphine chegou a ser processada por maus tratos a nove escravos que trabalhavam numa plantação da família. Esses escravos foram supostamente vendidos para outra fazenda, mas alguns dizem que eles jamais chegaram ao seu novo trabalho. Eles teriam sido mortos no caminho e enterrados nos pântanos da Louisiana. Havia ainda muitas outras estórias relatando maus tratos que iam de criadas apanhando com chicotes até escravos que tinham os dedos, mãos, pés cortados com a lâmina de machadinhas por terem cometido falhas, como por exemplo, não polir corretamente a prataria da casa.

Em 10 de abril de 1834, um incêndio começou na cozinha da mansão na Royal Street.

Os donos da casa estavam fora e as autoridades foram chamadas para ajudar no combate ao fogo. Na cozinha encontraram uma mulher negra de setenta anos, a cozinheira favorita da família, acorrentada ao forno pelos pulsos e tornozelos. Mais tarde, a mulher confessou que havia iniciado o incêndio como uma tentativa de suicídio por temer a patroa. As palavras dela foram: "Eu tenho medo de ser levada para o andar de cima. Ninguém que é levado para lá volta"       

Conforme foi publicado no New Orleans Bee, populares tentaram entrar no alojamento dos escravos para evacuá-los. Uma vez que ninguém sabia onde estavam as chaves, quebraram o cadeado e encontraram "sete escravos em lastimável estado, alguns horrivelmente mutilados... haviam cadáveres pendurados pelo pescoço pendendo em cordas, braços e pernas cortados ainda presos a correntes e inúmeros apetrechos de tortura espalhados pela câmara. Os escravos cativos contaram que haviam sido levados para aquela câmara de horrores onde sofriam horrivelmente. Alguns estavam lá há meses".

Um dos homens que descobriu a câmara de torturas foi o Juiz Jean-Francois Canonge, que posteriormente prestou depoimento sobre o que foi encontrado na mansão: "Havia uma mulher nua com um colar de ferro cheio de espinhos presa na parede por uma corrente. Os muitos ferimentos em suas costas evidenciavam o uso de chicote e ferros em brasa. A mulher contou que a Madame Delphine costumava cortá-la com uma navalha e beber seu sangue. Por vezes ela mergulhava suas mãos e rosto em uma bacia cheia de sangue acreditando que assim poderia rejuvenescer."

Uma representação em cera da Câmara das Torturas
Canonge continuou em seu testemunho: "Uma velha negra tinha um ferimento profundo na cabeça e estava fraca demais para falar ou andar. Um homem havia sido castrado e o ferimento fora costurado com barbante, a língua dele também foi cortada para que ele não pudesse reclamar".

Um dos homens de confiança dos LaLaurie, quando interrogado confessou que a câmara de torturas era usada há anos e que a patroa se divertia quase que diariamente atormentando seus escravos. "Nada dava a ela maior prazer" teria contado.

O frio relato enfureceu a população e logo a casa foi destruída por pedras e uma turba armada com paus que colocou tudo, exceto as paredes abaixo. As roupas e jóias da família foram saqueadas, os salões com seus móveis luxuosos devastados e por pouco a casa não foi inteiramente queimada pela multidão. Uma das filhas de Delphine que estava na mansão foi agredida e se não fosse a intervenção das autoridades teria sido linchada.

Os escravos torturados foram levados para a prisão local, onde testemunharam sobre tudo o que haviam passado. As audiências públicas foram muito concorridas - mais de 4 mil pessoas segundo o New Orleans Bee, vieram assistir os procedimentos. Durante a oitiva, pessoas chocadas desmaiaram com a narrativa nauseante até um ponto em que o xerife preferiu restringir a presença do público.

Pittsfield Sun, citando o New Orleans Advertiser contou que semanas depois do ocorrido e da evacuação da mansão, corpos começaram a ser desenterrados no quintal da casa. Oito ossadas humanas completas foram achadas no local onde os feitores dos LaLaurie dispunham os corpos em covas rasas. Se essa descoberta não fosse terrível por si só, outro feitor confessou que haviam muitas outras vítimas cujos corpos foram atirados em um poço seco nos fundos da propriedade. Para acrescentar uma nota de tragédia ainda mais brutal, quando o poço foi aberto, as autoridades encontraram ossos de crianças que haviam sofrido torturas similares.      

Mas o que aconteceu com Madame Delphine depois da medonha descoberta em sua mansão?

A vida dos LaLaurie depois de 1834 não é bem documentada, havendo escassez de informações em parte porque eles tentaram desesperadamente sumir de circulação.

Após a descoberta aterradora, Delphine e suas filhas teriam fugido para a cidade de Mobile, no Alabama onde foram hospedados por parentes distantes. Lá, seu marido Leonard a abandonou temendo sofrer represálias se continuasse com elas. Delphine ficou com os parentes por algumas semanas, mas mesmo eles estavam temerosos com as acusações que ela vinha recebendo e não a queriam por perto. Em meados de junho, temendo ser descoberta, Delphine mandou suas filhas para que ficassem com amigos e agendou uma passagem num vapor que a levou a Paris.

Supõe-se que os LaLaurie tinham dinheiro em bancos na França, mas não se sabe qual era o tamanho de sua fortuna. O que estava na Louisiana foi perdido para sempre. De qualquer maneira ela ainda tinha o suficiente para permitir se estabelecer na capital da França e manter um padrão elevado. Suas filhas jamais se juntaram a ela na Europa, alegando que não queriam mais ter qualquer contato com a "Megera de Royal Street".

As circunstâncias da morte de Delphine LaLaurie não são claras. O historiador George Cable relatou uma estória que se tornou popular afirmando que ela teria morrido em um acidente de caçada, na França. Ela teria sido morta por um javali furioso que a derrubou do cavalo e a atropelou. Alguns afirmam que ela teria retornado para a América e morrido em São Francisco em decadência, mas não se pode saber. Seja qual for a verdade, nos anos 1930, Eugene Backes, um coveiro do Cemitério St. Louis descobriu uma placa de cobre com a inscrição:


"Madame LaLaurie, née Marie Delphine Macarty, décédée à Paris, le 7 Décembre, 1842, à l'âge de 6-."

Algumas pessoas contam que o fantasma da Madame LaLaurie ainda assombra as ruas da cidade de Nova Orleans, mas nessa caso, superstições e lendas se misturam com a realidade produzindo estórias assustadoras.

Chica da Silva

Chica da Silva (1732-1796) foi uma escrava que viveu no Brasil na segunda metade do século XVIII. Manteve uma relação durante quinze anos com o rico contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira. Atingiu uma posição de destaque na sociedade, época em que a questão da escravatura era muito evidente.
Francisca da Silva de Oliveira (1732-1796) nasceu no Arraial do Tijuco, atual cidade de Diamantina, Minas Gerais. Filha do português, capitão das ordenanças, Antônio Caetano de Sá e da africana Maria da Costa. Foi escrava de um proprietário de lavras, o sargento-mor Manoel Pires Sardinha, com quem teve um filho chamado Simão Pires Sardinha. Este foi alforriado pelo pai, que o deixou bens em testamento.
Com 22 anos foi comprada pelo rico contador de diamantes, João Fernandes de Oliveira, que chegou ao Arraial do Tijuco, em 1753. Depois de alforriada, passou a viver com o contador, mesmo sem matrimônio oficial. Chica da Silva passou a ser chamada oficialmente Francisca da Silva de Oliveira. O casal teve 13 filhos e todos receberam o sobrenome do pai e boa educação.
A união do casal que durava 15 anos, foi interrompida em 1770, quando João Fernandes retornou a Portugal, depois da morte de seu pai a fim de resolver questões de herança familiar, levando com ele os quatro filhos que teve com Chica da Silva. Lá, adquiriram educação superior e alcançaram postos de nobreza na corte portuguesa.
Chica da Silva ficou no Brasil com as filhas e a posse das propriedades do marido, o que lhe permitiu viver confortavelmente. As filhas estudaram prendas domésticas e música. Mesmo sem viver com João Fernandes pelo resto de sua vida, Chica da Silva conseguiu distinção social e respeito na sociedade elitista de Minas Gerais, no século XVIII.
Passou a conviver com a elite branca local, inclusive obtendo escravos negros. Doou parte de seus bens às irmandades religiosas do Carmo e de São Francisco, que eram exclusivas de brancos, e às das Mercês, exclusivas dos mestiços e a do Rosário dos Pretos, que eram reservadas aos negros.
Chica da Silva faleceu em Serro Frio, Minas Gerais, no dia 15 de fevereiro de 1796. Foi sepultada na irmandade religiosa de São Francisco de Assis, exclusiva dos brancos.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

A verdadeira história do pirata Barba Negra

Pouco se sabe sobre as origens do Pirata Barba Negra, mas acredita-se que ele tenha nascido em Bristol, no sul da Inglaterra, por volta do ano 1680, e que seu verdadeiro nome era Edward Teach.
Barba Negra se alistou como privateer durante a Guerra de Sucessão Espanhola, que ocorreu entre 1701 e 1713. A coroa Britânica buscava ter o maior numero possível de navios em sua frota, e privateers eram mercenários contratados para saquear navios Espanhóis e Franceses, com permissão da Coroa Inglesa de manter parte do carregamento.
Como final da guerra, esses privateers se tornaram piratas. Os altos impostos cobrados pelo governo Britânico incentivavam o contrabando na América e Barba Negra, sob o comando do Capitão Benjamin Hornigold, seguiu para o Caribe para saquear navios contendo suprimentos, bebidas, munição e ferramentas.
Blackbeard se tornou capitão de seu próprio navio em 1716. A Vingança da Rainha Anne, Queen Anne’s Revenge era originalmente um navio negreiro Francês, equipado com armas e canhões.
Apesar das armas, o método utilizado por Barba Negra era a intimidação, e a tripulação assustada geralmente se entregava sem resistência.
Barba Negra se estabeleceu no litoral da Carolina do Norte, sendo visto como herói durante algum tempo.
Ele pagava propinas para o governador e oferecia mercadorias baratas para o povo. No auge, sua tropa chegou a ter 4 navios e mais de 400 piratas.
A popularidade de Blackbeard chegou ao fim quando ele decidiu manter tripulantes de um navio como reféns. Ele exigia remédios em troca das vidas e o governador só conseguiu um acordo com o pirata minutos antes de uma execução. Os donos dos carregamentos roubados também pressionavam o governo para que Barba Negra fosse capturado.
A oportunidade chegou em Novembro de 1718, depois de uma festa oferecida por Blackbeard que reuniu piratas do mundo todo. Historiadores especulam que ele estava tentando deixar a pirataria.
Oitenta homens, comandados pelo Tenente Mainard planejavam atacar o Queen Anne’s Revenge, que estava ancorado na Ilha de Ocracoke.
Os piratas perceberam o ataque iminente e rapidamente se prepararam para batalha. O navio de Mainard foi atacado à ponto de Blackbeard pensar que todos os tripulantes estavam mortos.
Os homens de Barba Negra invadiram o navio e foram recebidos com tiros. Mainard acertou Barba Negra, que continuou lutando.
Blackbeard foi atingido várias vezes por balas e golpes de espada, antes que um dos homens de Mainard finalmente cortasse sua garganta. A cabeça de Barba Negra foi exibida no mastro do navio como prêmio.
Desde sua morte, varias pessoas, incluindo Mainard, procuraram pelo legendário tesouro do pirata Barba Negra.
Uma lenda diz que seu crânio foi banhado em prata e transformado em um caneco, usado em rituais de iniciação em uma fraternidade na Virginia do Norte.
A ilha onde Barba Negra foi morto é hoje um santuário ecológico. Nenhum tesouro foi encontrado até hoje.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A Condessa Sangrenta

Foi uma nobre húngara chamada Erzsébet Báthory (aportuguesado para Elizabeth ou Isabel) que é suspeita de ter torturado e matado com requintes de crueldade mais de 650 pessoas. Nasceu em 7 de agosto de 1560, na Hungria, em uma das famílias mais abastadas da época. Elizabeth foi criada em um castelo da família, usufruindo de uma educação privilegiada. Foi alfabetizada em húngaro, latim e alemão numa época que era comum analfabetismo até mesmo entre os nobres. Era muito bonita e sofria de ataques epiléticos na infância, que logo cessaram. Prometida desde os 11 anos, casou-se aos 15 com o conde Ferenc Nádasdy, foi uma boa mãe para seus 3 filhos e posteriormente ganhou a alcunha de Condessa de Sangue. ~arrepios~

A família Báthory já contava com alguns registros de sadismo e outras disfunções mentais, resultado de inúmeras relações incestuosas, mas nenhum chegou aos pés do sadismo e loucura de Elizabeth.  Embora muitas evidências culpem a Condessa pelos assassinatos e torturas, algumas coisas podem ser boato. Mas, a essa altura do campeonato, quem se importa? Vamos contar mesmo assim! \o/

Seu marido era militar, o que conferia a ele muitas viagens. Sozinha num castelo que significava praticamente o governo de um terço da Hungria, a Condessa passou a exercitar cada vez mais sua loucura. Na época, era normal maltratar os servos, mas os atos de Elizabeth foram considerados atrozes até pelos seus contemporâneos. Punia os empregados com surras extremas, alfinetes sob as unhas e outras partes sensíveis, remoção de dedos e até chegava a colocar o empregado na área externa, nu, no gelo, e o banhava com água gelada até a morte. Qualquer um que infrigisse as normas da casa (que incluiam nunca deixar cair nada) sofria. Ás vezes ela mesma quebrava uma regra só para poder culpar e torturar. Dizem que, certa vez, com as próprias mãos, ela abriu a boca de uma serva até os cantos da boca rasgarem. Mas o marido acabou descobrindo. O que ele fez? Ajudou. Ele a ensinou a embeber um servo em mel e deixa-lo ser devorado vivo por insetos. Casal legal, só que ao contrário.

Ficou viúva em 1604, o que agravou seu quadro de insanidade. Suas torturas ficaram piores. Muito piores. Sem o marido, ela arrumou cúmplices, entre eles um demente mental chamado Ficzko, que escondia os cadáveres e auxiliava na manipulação das máquinas de tortura. Lembrando que suas vítimas permaneciam vivas durante os atos, vamos listar as preferidas da Condessa:

- remover os intestinos lentamente;

- arrancar a pele;

- fazer enxertos de pedaços de cadáveres no corpo da vítima;

- atravessar o corpo deles com lâminas;

- castrar;

- queimar genitálias com tochas;

- mergulhar rostos em óleo fervendo;

- esmagar cabeças;

- costurar bocas e narizes;

- matar de fome;

- usar uma máquina hidráulica para esmagar a pessoa e se banhar nos fluídos restantes.

Isso certamente não lhe creditaria o título de Miss Simpatia, mas ainda não chegamos ao fato que lhe rendeu o apelido. Corria o boato de que, ao espancar uma empregada até a morte, o sangue da jovem escorreu na mão de Elizabeth. Ao limpar, ela achou que sua mão estava mais jovem. Então teve a idéia: construiu, no calabouço do castelo, uma gaiola suspensa que, ao invés de barras, tinha lâminas. Ela prendia alguma jovem virgem na gaiola, se sentava abaixo e ordenava que, com uma lança, Ficzko furasse a menina. Ou pela lança ou pelas lâminas, a vítima se cortava e o sangue escorria sobre o corpo da condessa, que acreditava manter assim sua beleza e juventude eternas.

Acredita-se que o declínio de Elizabeth deu-se por conta de uma parceria com a viúva Erzsi Majorova, que convenceu-a a matar virgens nobres e beber seu sangue. De empregados ninguém sentia falta, mas de nobres sim. E a casa caiu. As investigações começaram em 1610 e ela foi presa no final do mesmo ano. Não foram encontradas provas concretas dos assassinatos ou das torturas (lembremos que a ciência era muito limitada), somente testemunhos e o diário de Elizabeth, que continha mais de 650 nomes de supostas vítimas na letra da proprietária. Os cúmplices foram condenados: Ficzko foi decapitado, Erzsi teve seus dedos amputados e foi jogada viva numa fogueira. A condessa Báthory foi condenada a cárcere perpétuo em seu próprio quarto, com portas e janelas vedadas. Seu corpo foi encontrado três anos depois, rodeado de pratos de comida intactos.  

O então rei húngaro Matias II proibiu que se mencionasse seu nome nos círculos sociais, sendo que sua história só foi reavivada cem anos mais tarde, quando os documentos do julgamento foram descobertos. A história da Condessa de Sangue fomentou também a crença nos vampiros.

Anita Garibaldi

Anita Garibaldi (1821-1849) foi a "Heroína dos Dois Mundos". Recebeu esse título por ter participado no Brasil e na Itália, ao lado de seu marido Giuseppe Garibaldi, de diversas batalhas. Lutou na Revolução Farroupilha (Guerra dos Farrapos), na Batalha dos Curitibanos e na Batalha de Gianicolo, na Itália. Corajosa e dedicada, Anita foi homenageada em Santa Catarina com o nome de dois municípios: Anita Garibaldi e Anitápolis. Em Salvador foi homenageada com o nome de uma avenida; em Curitiba com o nome de uma praça e em diversas cidades com nome de ruas.
Anita Garibaldi (1821-1849) nasceu em Laguna, Santa Catarina, no dia 30 de agosto de 1821. De família portuguesa, veio dos Açores para Santa Catarina. Filha de Maria Antônia de Jesus e Bento da Silva, modesto comerciante da cidade de Lages.
Anita Garibaldi, com a morte de seu pai, foi obrigada a casar com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar. No dia 30 de agosto de 1835, com apenas 14 anos, casa-se na Igreja Matriz de Santo Antônio dos Anjos. O casamento durou apenas três anos, o marido se alistou no exército imperial e Anita voltou para casa de sua mãe.
Em 1835, desembarca no Rio de Janeiro, o guerrilheiro italiano Giuseppe Garibaldi. Nesse mesmo ano participa da Revolução Farroupilha (Guerra dos Farrapos), onde conheceu Anita Ribeiro da Silva, que também lutava na revolução. Anita, já unida a Garibaldi, participou ativamente do combate em Imbituba, Santa Catarina e da batalha de Laguna onde carregou e disparou um canhão.
Durante a Batalha de Curitibanos, Anita foi capturada pelas tropas do Império. Grávida de seu primeiro filho, foi informada que seu marido havia morrido. Inconformada, conseguiu fugir a cavalo e saiu a sua procura, localizando o marido na cidade de Vacaria. No dia 16 de setembro de 1840 nasce seu filho Domênico Menotti. O casal teve mais dois filhos, Teresita e Ricciott. Em 1842 casam-se na paróquia de San Bernardino. No mesmo ano eclodiu a guerra contra a Argentina, onde Garibaldi comandou a frota uruguaia.
Em 1847, Anita acompanha o marido, que volta para Itália, levando seus três filhos. Giuseppe permanece em Roma onde realizavam-se as primeiras manifestações públicas que resultariam nas lutas pela unidade e independência da Itália. Anita e seus filhos seguem para Nice, na França. Depois de vários combates, Garibaldi viaja para Nice, onde encontra-se com Anita, seus filhos e sua mãe.
Em 1849, Garibaldi e Anita seguem para os combates em Roma, mas são perseguidos e durante a fuga, próximo a província de Ravenna, Anita é acometida por febre tifoide e não resiste.
Anita Maria de Jesus Ribeiro morre no dia 04 de agosto de 1849. Em Roma, na colina de Gianicolo, foi erguido um monumento equestre, onde está enterrado seu corpo.

Tutankamon

Ainda existem muitas dúvidas sobre a vida de Tutankamon. Foi o último faraó da 18ª dinastia. Durante seu curto período de governo, levou a capital do Egito para Memphis e retomou o politeísmo, que havia sido abandonado pelo pai Akhenaton. Foi também o responsável por reformar e reconstruir os templos de Amon.

Sabe-se que morreu de forma traumática ainda na adolescência. Alguns pesquisadores acreditam que ele tenha sido vítima de uma conspiração na corte e, possivelmente, tenha sido assassinado com um golpe na cabeça. Esta hipótese é sustentava, pois o crânio da múmia do faraó apresenta uma perfuração.

Porém, estudos mais recentes e avançados (inclusive de DNA) efetuados na múmia do faraó menino revelaram que a causa mais provável de sua morte tenha sido a malária. Estes estudos mostraram também que Tutankamon era portador de uma doença conhecida como Köhler-Freiberg, que provoca inflamação em cartilagens e ossos dos pés. Um dos pés da múmia do faraó apresenta necrose, provavelmente causada pela má circulação sanguínea provocada pela doença. Logo, essa conjugação de doenças pode ter levado o faraó a morte.

Tesouros de Tutankamon 

A importância atribuída para este faraó está relacionada ao fato de sua tumba, situada no Vale dos Reis, ter sido encontrada intacta. Nela, o arqueólogo inglês Howard Carter encontrou, em 1922, uma grande quantidade de tesouros. O corpo mumificado de Tutankamon também estava na tumba, dentro de um sarcófago, coberto com uma máscara mortuária de ouro. O caixão onde estava a múmia do faraó também é de ouro maciço. 


Na tumba de Tutankamon foram encontradas mais de cinco mil peças (tesouros). Entre os objetos estavam joias, objetos pessoais, ornamentos, vasos, esculturas, armas, etc.

A maldição de Tutankamon
Durante a escavação da tumba de Tutankamon, alguns trabalhadores da equipe morreram de forma inesperada. Criou-se então a lenda da Maldição do Faraó. Na parede da pirâmide foi encontrada uma inscrição que dizia que morreria aquele que perturbasse o sono eterno do faraó. Porém, verificou-se depois que algumas pessoas haviam morrido após ter respirado fungos mortais que estavam concentrados dentro da pirâmide.

Curiosidades:

- Pesquisadores divulgaram, em junho de 2016, que um punhal encontrado na tumba de Tutankamon tem em sua composição um metal extraterrestre, com grande quantidade de cobalto e níquel. De acordo com os cientistas, o metal chegou ao nosso planeta através de um meteorito.

- Estudo divulgado por arqueólogos e cientistas, em 2010, apontam para a provável causa da morte de Tutankamon: infecção óssea e malária.